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Alunos do IFSP de Birigui fazem manifestação contra bloqueio de verba

  • Foto do escritor: Jackson Andrade
    Jackson Andrade
  • 9 de jun. de 2022
  • 4 min de leitura

O diretor do Campus Edmar César Gomes da Silva conta que se caso o corte realmente acontecer, a assistência estudantil será diretamente afetada.

Carolina Marques

Hoje (09), às 09h, na Praça Doutor Gama, alunos do IFSP (Instituto Federal de São Paulo), da Unidade em Birigui farão uma manifestação contra o bloqueio de 7,2% do orçamento da rede federal. O ato se dividirá em duas etapas, uma na Praça Doutor Gama, onde são esperadas cerca de 120 pessoas, e uma segunda manifestação que ocorrerá a partir das 19h, no IFSP Campus Birigui, onde também terá uma roda de conversa com os alunos e com a comunidade sobre o impacto que o contingenciamento poder causar nas atividades acadêmicas, neste segundo evento tem são esperadas cerca de 120 pessoas.


O diretor do Campus Edmar César Gomes da Silva conta que se caso o corte realmente acontecer a assistência estudantil será diretamente afetada, sendo que não terá recursos para pagamento nos dois últimos meses do ano. “Para que isso não aconteça, este valor será retirado do orçamento do campus para atender os alunos, mas faz com que o impacto seja de 10% nas contas do campus. Isso representa um mês de despesas sem recursos para pagamento, além da suspensão da aquisição de insumos para laboratórios e investimentos em segurança”, conta.


No dia 03 de junho, o atual ministro da educação, Victor Godoy, anunciou a redução do corte para 7,2%, e não mais de 14,5% como o governo havia informado em 27 de maio. Assim, cerca de 50% dos R$ 3,2 bilhões da verba para despesas de custeio e investimento para 2022 que haviam sido bloqueados serão liberados.

O líder do movimento Cesar Augusto Gomes Dos Santos, que também é presidente do Centro Acadêmico da engenharia e membro do colegiado da engenharia, critica a decisão do Governo Federal, dizendo que as universidades públicas, em geral, têm de viver em constante luta para se manterem em funcionamento, os alunos, muitas vezes, têm de lutar por um direito que já é seu, que é ter uma educação gratuita de qualidade.

“As universidades públicas não podem retroceder, pois é de uma educação gratuita que se forma uma sociedade pensante e crítica. Em 2019, o projeto Future-se foi uma das investidas mais incisivas do governo para entregar constituições federais na mão do setor privado, que a muito tempo busca expandir o controle mercadológico do ensino superior no país, visando o lucro e enriquecimento de uma minoria”, destaca.

Segundo o estudante, para conseguir consolidar e justificar esta ação, foi proposto um corte de 30% na verba destinada para a educação. Em resposta, os estudantes em uníssono ocuparam as ruas com a bandeira contra os cortes e contra o processo de privatização da educação.


“A mobilização que ficou conhecida popularmente como Tsunami da Educação levou mais de dois milhões para as ruas, e após muita luta, os estudantes conseguiram barrar o projeto e seus cortes. Não contente com as investidas e derrotas que sofreu pelas mobilizações estudantis, apresentou agora o corte de 14,5% no orçamento discricionário do Ministério, o que corresponde a 3,2 bilhões da verba prevista para a pasta em 2022. Alimentando o discurso do seu exministro da Educação, ‘que a universidade deve ser para poucos’, tentou aprovar a PEC 206, que visa na prática expulsar aqueles e aquelas que lutaram e lutam até hoje para adentrar as universidades e permanecer dentro delas.”


“Porém, o instituto federal de São Paulo campus Birigui não se contentará com esta redução e iremos nos manifestar no dia de hoje, demonstrando nosso descontentamento com a decisão, lutando para que toda a verba bloqueada seja liberada e possamos seguir nossa vida acadêmica normalmente.”


Segundo o líder do movimento, o campus de Birigui hoje sofre muito com questões estruturais e está precisando de reformas urgentes, como ocorre no bloco A, que teve de ser interditado por possuir rachaduras nas paredes que afetam a segurança dos alunos.


“Outra questão que nosso campus sofre é com a alimentação, onde os alunos do ensino médio recebem alimentação 100% subsidiada, os alunos da engenharia têm de pagar um valor de 13 reais pelo prato feito, algo que se torna inviável para grande parte dos alunos, tendo em vista que o auxílio alimentação oferecido é de 200, ou seja, a verba do auxílio só daria para o aluno se alimentar com uma refeição durante cerca de 15 dias, e durante o período da noite, não é oferecido prato feito, desta maneira os alunos têm que se alimentar de salgado vendidos na cantina, onde por muitas vezes nem atende a demanda dos alunos.”


Um terceiro ponto, que o estudante fala, é que a unidade precisa de monitoramento e segurança, onde a verba destinada ao instituto não possibilita a contratação de uma quantidade de seguranças que atendam à demanda e a verba que seria destinada para a compra e instalação de equipamentos de segurança, foi devolvida por conta do contingenciamento.


“Um outro ponto crítico no campus é o transporte, além de residir em um bairro afastado do centro de Birigui, não são oferecidos ônibus aos alunos do ensino superior, desta maneira dependem dos circulares, que tem seu horário de funcionamento muito reduzido no local da faculdade, algo que dificulta o deslocamento dos alunos até o instituto, onde alguns para ir e voltar, tem de recorrer a outros meios como carona coletiva, bicicletas ou até mesmo realizar o trajeto a pé”, finaliza.

 
 
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